Opinião

BÓLIDOS, ONDAS DE CALOR E GUERRAS

Luiz Augusto L. da Silva *

Na manhã de 17 de Março de 2026, sobre a região nordeste dos Estados Unidos da América, a mais densamente povoada daquele país, um bólido diurno explodiu, produzindo um forte estrondo sônico. Acredita-se que o meteoroide que o originou possuía 1.8 metros de diâmetro, pesava 7 toneladas, e na explosão liberou energia equivalente à 250 toneladas de TNT. A sua velocidade inicial, ao adentrar a atmosfera, era de incríveis 72000 km/h! Se tivesse chegado íntegro ao solo, o impacto haveria gerado um desastre incomensurável.

Ao mesmo tempo, meteorologistas alertavam para uma onda de calor extraordinária que afetaria o oeste do país, com temperaturas até 20 graus Celsius mais altas que as médias para esta época do ano. Alarmante. Com certeza outra consequência do processo de mudanças climáticas derivado do aquecimento global de origem antropomórfica.

Enquanto isso, o débil mental que, de novo, vem governando a nação mais poderosa do planeta, reeleito que foi por legiões de outros débeis mentais, convocava a participação europeia na guerra que promove juntamente com Israel contra o Irã. Dia seguinte, o mesmo débil mental confessava, mais uma vez, seu desejo insano de “libertar” Cuba.

A civilização erguida pelo Homosapiens” só enxerga o próprio nariz, e o umbigo do próximo que é declarado “inimigo”, ignorando os perigos reais que ameaçam a sobrevivência. Dos amigos e aliados, e dos inimigos. Vive entorpecida pela admiração cega e fanática por memes como mercado, dinheiro, lucro e comércio, sem perceber que é extremamente frágil, cercada por uma natureza indiferente, e que por isso mesmo pode se revelar impiedosa, agressiva e fatal em um piscar de olhos.

Nascemos do acaso, e poderemos ser vitimados por ele, caso não adotemos definitivamente um novo paradigma, que seja regido pela racionalidade, pela ética e pela moralidade. É hora de depor as armas e de abraçar o adversário. Tempo de banir as mortes e zelar pelas vidas. Mas, é claro, a cultura e a genética nos impedem de fazer isso. A violência contra animais, e a escalada de feminicídios que vemos na mídia todos os dias, atestam o comportamento rude e irracional ainda predominante. Imaginem agir em prol da paz, comprometendo os lucros fantásticos auferidos pela indústria armamentista, que nutre e incentiva conflitos das mais variadas magnitudes! Nem pensar…

Um ser extraterrestre, que além de tecnicamente evoluído fosse também eticamente desenvolvido, ao contemplar de fora o cenário vigente na Terra hoje, poderia ficar perplexo com a nossa estupidez, ignorância e ― porque não dizer ― irresponsabilidade.

Ao invés da fraternidade, veria a rivalidade. Ao invés do culto à realidade, constataria a crença generalizada em fantasias descabidas e absurdas. Ao invés do cooperativismo social, enxergaria altas doses de individualismo egoísta. Ao invés da vista aguçada da sabedoria que enxerga longe, comprovaria a visão curta e míope que mira e dá tiro no próprio pé.

O pior é ter consciência de que tudo isso não vai mudar. Maldito seja o asteroide que, há 65 Mega-anos, varreu os dinossauros da face da Terra, oportunizando a evolução dos mamíferos, que acabou descambando para esta aberração inominável em que se constitui a espécie humana.

Só para lembrar: um novo e potente El Niño costeiro já está matando gente no Peru e no Equador. Como em Março de 2023. É presságio de um evento mais amplo, que poderá afetar a climatologia continental e mundial. Igual a 2024. Ou, quem sabe, muito pior. Viva o dólar! MAGA!

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* Astrônomo, presidente do conselho curador da Rede Omega Centauri para o Aprimoramento da Educação Científica.

www.luizaugustoldasilva.com

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www.redeomegacentauri.org 

20260318

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